Nova EJA do SESI transforma vidas e combate a baixa escolaridade na indústria potiguar

Proporcionar oportunidades de acesso ao ensino para trabalhadores da indústria que precisem de avanços na escolaridade: esse é um dos principais objetivos da Nova EJA (Educação de Jovens e Adultos) do SESI-RN. Com uma metodologia flexível, personalizada e adaptada à rotina de quem trabalha, o programa gratuito tem ajudado jovens e adultos a concluir a educação básica, retomar projetos interrompidos e enxergar novas possibilidades para o futuro.
Foi esse caminho que mudou a trajetória de Emanuele Silva, funcionária da Nova Foods. A educação significou oportunidades. A promoção no trabalho veio primeiro; depois, a entrada na faculdade. Para ela, as duas conquistas têm a mesma origem: a decisão de concluir o Ensino Médio por meio da Nova EJA do SESI.
Como acontece com milhares de trabalhadores brasileiros, a rotina profissional e as responsabilidades da vida adulta fizeram com que a educação ficasse em segundo plano. Por isso, o sonho de voltar a estudar parecia distante. Mas, quando surgiu a oportunidade de participar de uma turma da Educação de Jovens e Adultos dentro da própria empresa, Emanuele decidiu dar uma nova chance aos seus planos.
“Decidi fazer a EJA do SESI porque tinha o desejo de me desenvolver, voltar a estudar e buscar novas oportunidades para o meu futuro. A formação foi muito importante tanto para a minha vida profissional quanto pessoal, pois ampliou meus conhecimentos e me deu mais confiança para crescer e enfrentar novos desafios”, conta.
Após concluir o Ensino Médio, Emanuele foi promovida e ingressou no curso de Engenharia de Produção. Hoje, ela cursa o segundo período da graduação. “Graças à EJA, consegui dar continuidade aos meus estudos e iniciar minha graduação. Essa conquista tem contribuído diretamente para o meu avanço profissional e para a realização dos meus objetivos”, relata.
A trajetória de Emanuele representa o propósito do programa: combater a baixa escolaridade entre trabalhadores da indústria e criar oportunidades para que mais pessoas possam crescer profissionalmente, melhorar sua renda e transformar suas histórias por meio da educação.
“O projeto é incrível, contando com o acompanhamento da professora para tirar dúvidas e o suporte constante da gestão e do RH, que se preocupam sempre com o nosso desempenho. Esse apoio foi fundamental para a conclusão dos meus estudos”, disse a estudante.
O presidente da FIERN, Roberto Serquiz, destacou os resultados positivos da Nova EJA para os colaboradores e empresas do setor industrial. “O SESI executa esse programa, que se mantém atualizado frente às condições e exigências da atualidade e, assim, permite ao trabalhador da indústria, que necessita, avançar em sua escolaridade”, salientou o presidente do Sistema FIERN. “Isso significa oportunidade de desenvolvimento profissional. Ao mesmo tempo, o programa de Educação de Jovens e Adultos tem repercussão positiva para a competitividade do setor industrial, porque empresas que contam com colaboradores mais preparados e qualificados tendem a evoluir”, acrescentou Roberto Serquiz.
Para o SESI-RN, a educação é um dos principais instrumentos para promover inclusão, desenvolvimento humano e competitividade industrial. “Erradicar a baixa escolaridade na indústria é um desafio que exige o engajamento de todos. A Nova EJA foi pensada para aproximar a educação dos trabalhadores, oferecendo flexibilidade e uma aprendizagem conectada à realidade profissional”, disse Danielle Mafra, superintendente regional do SESI-RN.
“Nosso objetivo é garantir que cada vez mais pessoas tenham acesso à educação e possam construir trajetórias de crescimento pessoal e profissional. A educação continua sendo a principal ferramenta de transformação social e de desenvolvimento da indústria”, ressaltou.
Educação que reconhece a trajetória de cada estudante
Um dos diferenciais da Nova EJA é compreender que cada aluno possui uma história única. O modelo pedagógico foi desenvolvido para valorizar os conhecimentos adquiridos ao longo da vida, seja na escola, no trabalho ou em experiências pessoais. A partir de uma análise das competências e habilidades já desenvolvidas, cada estudante recebe uma trilha formativa personalizada.
“Nós analisamos as habilidades e competências que os estudantes concluíram ao longo do tempo. Então, se eu tenho mais habilidade, mais competências — se parei no terceiro ano do Ensino Médio, por exemplo —, já existe um conhecimento que pode ser aproveitado”, explica a supervisora pedagógica da EJA, Mirtes Maria Trigueiro.
Segundo ela, o processo começa com um levantamento detalhado da trajetória escolar, profissional e pessoal do estudante. “Eles iniciam o programa respondendo a formulários nos quais analisamos todo o seu histórico de vida, escolar e profissional. A partir disso, realizamos um conselho de classe e construímos um plano de estudo individualizado para cada estudante. Ou seja, uma trilha formativa própria”, afirma.
A metodologia permite reconhecer saberes já adquiridos, valorizar experiências de vida e focar apenas nas competências que ainda precisam ser desenvolvidas, tornando a aprendizagem mais eficiente e significativa.
O papel das empresas na transformação social
O sucesso de histórias como a de Emanuele também passa pelo apoio das indústrias. O SESI oferece a possibilidade de abertura de turmas dentro das próprias empresas, o que facilita o acesso dos trabalhadores à educação e reduz obstáculos relacionados a deslocamento e horários.
Para Helane Cruz, presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem do Rio Grande do Norte (SIFT-RN) e representante da Vicunha Têxtil junto à FIERN, investir na educação dos colaboradores proporciona retorno ao desenvolvimento das próprias empresas.
“Nós até admitimos pessoas com Ensino Fundamental incompleto, mas estimulamos que elas utilizem todas as oportunidades de desenvolvimento disponíveis para participar dos inúmeros processos internos existentes dentro da empresa”, destaca.
De acordo com ela, a escolaridade é um requisito cada vez mais importante para o crescimento profissional. “Você pode ocupar cargos de operador, que exigem formação de nível médio; cargos técnicos, que exigem ensino médio e qualificação profissional; além de funções de nível superior. A educação é o caminho formal para que se possa atender a esses requisitos.”
“Existe também todo esse empoderamento humano. O quanto você se sente útil, capaz, independente. A educação impacta todas as áreas da vida. Eu acho que a EJA é tudo isso”, afirma.
Helane também destaca a confiança que a indústria deposita no trabalho desenvolvido pelo SESI. “O SESI é um instrumento muito importante para o ensino e para a indústria. Seu nome e sua credibilidade trazem confiança. Aquilo que se propõe a fazer, entrega, e entrega com qualidade.”
Como funciona a Nova EJA
A Nova EJA do SESI foi criada para ampliar o acesso à educação entre jovens e adultos que não concluíram os estudos na idade regular. O programa oferece um currículo flexível, contextualizado e alinhado à realidade dos trabalhadores, utilizando metodologias ativas, projetos e resolução de problemas.
O ensino pode ser realizado em diferentes ambientes, incluindo unidades do SESI e empresas parceiras, com uma metodologia semipresencial que combina atividades online e encontros presenciais. São 80% do curso a distância e 20% de encontros presenciais, no polo da SESI Escola de São Gonçalo do Amarante, ou síncronos via plataforma Teams.
A modalidade atende estudantes a partir dos 15 anos para o Ensino Fundamental e a partir dos 18 anos para o Ensino Médio. O curso tem duração de até 12 meses, possui certificação reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC) e é gratuito para trabalhadores da indústria e seus dependentes.
Para realizar a matrícula, é necessário apresentar RG, CPF, comprovante de residência, comprovante de escolaridade e número do PIS. As inscrições são realizadas por meio dos canais do SESI.



